As palmilhas ortopédicas, também chamadas de órteses plantares, são dispositivos colocados dentro do calçado para ajudar a distribuir melhor o peso do corpo sobre o pé. Elas aliviam a pressão em pontos específicos, corrigem pequenos desalinhamentos e tornam a caminhada mais confortável. Podem ser usadas sozinhas ou junto com outros tratamentos, como fisioterapia, calçados adequados e, em alguns casos, órteses usadas durante a noite ou infiltrações.
Existem dois grandes grupos de palmilhas:
- Palmilhas prontas (de prateleira – pré fabricadas): já vêm fabricadas em diferentes tamanhos e níveis de suporte, sem necessidade de molde do pé.
- Palmilhas sob medida: feitas a partir do molde do pé do paciente, permitindo ajustar a pressão exatamente onde é necessário — como no caso de quem tem diabetes e pé de alto risco.
De forma geral, a ciência mostra que as palmilhas sob medida não são necessariamente melhores do que as pré fabricadas para aliviar a dor na maioria dos problemas nos pés. A exceção são os casos de maior risco, como o pé diabético, em que o ajuste individual faz diferença real na prevenção de feridas.
Principais tipos de palmilhas
- Palmilhas com suporte de arco (semirrígidas): indicadas para quem tem o pé que “cai para dentro” (pronação excessiva – pé plano), sendo úteis na dor do calcanhar e na dor na frente do joelho.

- Palmilhas de alívio de pressão (multicamadas): usadas por pessoas com diabetes para reduzir a pressão nas áreas onde já houve ferida ou que têm deformidade, buscando reduzir a pressão em pelo menos 30% em comparação ao calçado anterior.
- Palmilhas rígidas sob medida: indicadas quando há deformidade importante no pé ou necessidade de um controle mais preciso do movimento (ex: hallux rigidus / artrose do mediopé).

- Calcanheiras de silicone: opção simples e de baixo custo para casos leves de dor no calcanhar, com resultado parecido ao de outras palmilhas prontas.

- Calçados terapêuticos com palmilha embutida: combinação de calçado especial e palmilha, recomendada para pessoas com diabetes que têm risco moderado a alto de lesões nos pés.
Para quais problemas as palmilhas têm comprovação científica?
Dor no calcanhar (fascite plantar)
É a condição mais estudada. Pesquisas com milhares de pacientes mostram que as palmilhas reduzem a dor entre 7 e 12 semanas de uso, quando comparadas a palmilhas “falsas” usadas como controle nos estudos. Um estudo mais recente confirmou esse alívio da dor, embora sem grande impacto na capacidade de caminhar ou nas atividades do dia a dia.
Revisões importantes sobre o tema mostram que as palmilhas sob medida não superam as prontas na redução da dor, nem em curto nem em longo prazo, embora ajudem quando combinadas com o uso de órteses noturnas. As palmilhas semirrígidas prontas também mostraram benefício moderado quando comparadas a palmilhas placebo, entre 3 e 12 meses de uso.
Pé diabético e prevenção de feridas
Nas diretrizes internacionais sobre pé diabético, o uso de calçado especial junto com palmilhas sob medida é considerado uma estratégia tão importante quanto o controle da glicose para prevenir o surgimento de feridas, principalmente em pessoas com deformidade no pé ou histórico de ferida já cicatrizada. Estudos mostram redução de quase metade no risco de desenvolver novas feridas com o uso de calçado e palmilha adequados, embora o benefício seja maior em quem nunca teve ferida antes. Para que o tratamento funcione, é importante usar a palmilha na maior parte do dia — pelo menos 60% a 80% do tempo em que a pessoa está em pé ou caminhando.
Dor na frente do joelho (dor patelofemoral)
O consenso internacional sobre esse tipo de dor recomenda unir exercícios para quadril e joelho com o uso de palmilhas ou bandagens no joelho como primeira escolha de tratamento. Um estudo com quase 180 pessoas mostrou que palmilhas prontas com suporte de arco reduziram a dor em até 6 semanas, quando comparadas a palmilhas sem suporte. Porém, esse benefício não foi maior do que o da fisioterapia isolada, sendo o ideal combinar as duas abordagens.
Hálux rígido e hálux limitado (artrose do dedão do pé)
Quando a articulação na base do dedão do pé perde mobilidade e causa dor (hálux rígido), o primeiro tratamento costuma incluir palmilhas rígidas ou com placa de fibra de carbono, além de ajustes no calçado, como solas mais firmes ou com formato de “balanço” (rocker-bottom). Essas soluções limitam o movimento da articulação durante a caminhada e reduzem a dor causada pelo atrito. Embora ainda faltem estudos de alta qualidade, uma pesquisa mostrou que quase metade dos pacientes melhorou apenas com o uso dessas palmilhas.
Uma palmilha específica para essa região da frente do pé levou ao desaparecimento completo da dor em mais de 60% dos pacientes após quatro semanas de uso, com melhora expressiva tanto na função do pé quanto na intensidade da dor relatada. Estudos de biomecânica também mostram que reforços na frente da palmilha ajudam a estabilizar essa articulação durante a caminhada, embora ainda seja necessário confirmar esse efeito em mais estudos clínicos.
Pé plano flexível
No pé plano flexível — tanto em crianças quanto em adultos — as palmilhas são a principal opção de tratamento sem cirurgia, embora o grau de certeza científica ainda seja considerado de baixo a moderado. Um estudo recente reunindo quase 370 pacientes mostrou redução significativa da dor com o uso de palmilha, seja isolada ou combinada com exercícios, além de melhora em medidas do formato do pé observadas em exames de imagem. Outra revisão também encontrou redução da dor com palmilhas em comparação a nenhum tratamento, embora os próprios autores reconheçam que os estudos disponíveis ainda são bastante diferentes entre si.
Em crianças, revisões destacam resultados positivos para dor, postura do pé e função, mas pedem cautela, já que os estudos usam critérios diferentes para definir e avaliar o pé plano; antes de indicar a palmilha, deve-se sempre avaliar se o calçado usado é adequado. Em adultos com pé plano adquirido por problema no tendão que sustenta o arco do pé (tendão tibial posterior), uma revisão mostrou que a palmilha, quando associada a um programa de exercícios de alongamento e fortalecimento, melhora a dor e a função — principalmente quando a palmilha é sob medida e oferece bom suporte ao arco. Nenhum estudo mostrou, porém, que a palmilha sozinha elimina totalmente a dor nesses casos.
Metatarsalgia
Nessa condição, o tratamento inicial envolve ajuste do calçado, alongamento e palmilhas, deixando a cirurgia reservada para os casos que não melhoram. Palmilhas rígidas, incluindo as que usam placa de fibra de carbono, ajudam reduzindo o movimento da frente do pé e a pressão sobre essa região durante o impulso da caminhada.
Estudos de biomecânica mostram que palmilhas com um reforço na parte interna, combinadas com uma almofada na região dos metatarsos, são mais eficazes do que palmilhas comuns para reduzir a pressão nessa área, tanto ao caminhar quanto ao subir e descer escadas. Simulações computacionais também reforçam por que materiais mais rígidos, como a fibra de carbono, funcionam bem: quanto mais rígido o material, mais a palmilha reduz a pressão sobre os pontos dolorosos do pé, até um certo limite — depois disso, o ganho adicional de rigidez não traz mais benefício e pode comprometer o conforto. Ainda assim, faltam estudos clínicos de alta qualidade voltados especificamente para essa condição, e uma nova pesquisa está em andamento para avaliar melhor o efeito das palmilhas sob medida nesses casos.
FAQ:
- Palmilha sob medida é sempre melhor do que a pronta?
Não necessariamente. Para a maioria dos problemas, como dor no calcanhar e dor no joelho, os estudos mostram resultados parecidos entre palmilhas sob medida e prontas. A palmilha sob medida se torna mais importante em situações específicas, como no pé diabético de alto risco ou quando há deformidade estrutural. - As palmilhas curam a dor no calcanhar (fascite plantar)?
As palmilhas ajudam a aliviar a dor, principalmente em curto e médio prazo, mas essa condição costuma melhorar com o tempo e o tratamento geralmente envolve várias medidas associadas, como alongamento, fisioterapia e, em casos mais difíceis, órtese noturna ou infiltração. - Pessoas com diabetes devem usar palmilha mesmo sem ferida no pé?
Sim, principalmente quem tem alguma deformidade no pé ou risco moderado a alto de desenvolver feridas. O uso de calçado adequado junto com a palmilha é recomendado como forma de prevenção, já que reduz a pressão sobre áreas vulneráveis do pé. - Em quanto tempo a dor melhora com o uso de palmilha?
Na dor no calcanhar, a melhora costuma ser percebida entre 7 e 12 semanas de uso contínuo. Já na dor na frente do joelho, alguns benefícios aparecem em até 6 semanas. - A palmilha substitui a fisioterapia?
Não. As evidências mostram que combinar exercícios com o uso de palmilhas traz resultados melhores do que usar apenas um dos dois tratamentos isoladamente, especialmente na dor do joelho, onde essa combinação é a primeira escolha de tratamento.
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