Dr. Alejandro Zoboli

Ortopedia e Traumatologia

Cirurgia do Pé e Tornozelo

Pé Plano (Pé Chato)

O que é o Pé plano ou Pé Chato?

O pé plano, popularmente chamado de pé chato corresponde a perda do arco longitudinal medial do pé. Desse modo, quando o paciente fica em pé, o pé assume um aspecto chato, plano. Existem diversas causas e graus de pé plano valgo, cada uma com suas características específicas.

Pé Plano

Quais as Causas do Pé Plano?

Existem diversas causas para o surgimento do pé plano valgo, as mais comuns são:

– Idiopática.
– Coalizão tarsal ou barra óssea.
– Navicular acessório.
– Disfunção ou tendinopatia do tendão tibial posterior.

Idiopática:

O pé chato de causa idiopática, corresponde ao pé plano sem causa definida. Normalmente ocorre desde a infância, trata-se de um pé plano flexível (a posição do calcâneo e arco do pé corrige ao ficar em ponta de pés) e normalmente não é doloroso.

Quando uma criança com pé plano flexível infantil está em pé, o arco desaparece, ao passo que ao sentar-se ou quando a criança está na ponta do pé, o arco reaparece. O pé plano flexível é uma patologia comum em crianças. Muitas vezes os pais e outros membros da família se preocupam desnecessariamente acreditando que o arco anormalmente baixo ou ausente em um pé de uma criança levará a deformidades permanentes ou deficiências.

Como dito anteriormente, pé plano flexível geralmente é indolor e não interfere com a deambulação ou esportes.

Coalizão tarsal ou Barra Óssea:

A coalizão tarsal ou barra óssea corresponde a um defeito de fusão de 2 ou mais ossos do pé. Esse defeito de fusão ocorre durante o período embrionário e culminam com a fusão (parcial ou total) de 2 ou mais articulações, levando a formação do pé plano.

As barras ósseas mais comuns são:

– Talonavicular.
– Talocalcaneana.
– Calcaneocuboídea.

Os pés planos decorrentes da coalizão tarsal, normalmente são pés mais rígidos e eventualmente podem apresentar dor (principalmente no local da barra óssea).

Navicular Acessório:

O navicular acessório é um ossículo acessório presente junto ao osso navicular e que receber a inserção do tendão tibial posterior.

Na maioria dos pacientes essa alteração não traz sintomas, no entanto, em algumas pessoas a presença desse osso pode levar a dor, volume local e predispor a doenças como o pé plano.

Existem três tipos de navicular acessório: tipo 1, tipo 2 e tipo 3.

Os pés planos decorrentes da presença de navicular acessório normalmente são pés flexíveis e eventualmente podem apresentar dor no local do navicular acessório (região medial do pé).

Disfunção ou tendinopatia do tendão tibial posterior:

A disfunção do tendão tibial posterior é um dos problemas mais comuns do pé e tornozelo. Ela ocorre quando o tendão tibial posterior torna-se insuficiente devido a processos inflamatórios e degenerativos que levam a lesão deste tendão, deste modo, o tendão pode não ser capaz de proporcionar a estabilidade e o suporte para o arco do pé, resultando um quadro de dor, diminuição na amplitude de movimentos do pé e tornozelo e em um pé plano.

Como fazer o diagnóstico do Pé Plano?

O diagnóstico do pé plano se baseia no exame físico e pode ser auxiliado por exames de imagem subsidiários. Ao exame físico o médico irá observar a perda do arco longitudinal medial do pé, perda de alinhamento do retropé e antepé ( varo do retropé a abdução do antepé), formação do arco longitudinal medial quando o paciente apresenta-se sem carga e movimentação articular adequada.

Em relação aos exames de imagem, normalmente apenas são necessárias radiografias simples com carga, nas quais observam-se perdas de alguns parametros radiográficos. É importante salientar que as radiografias sejam feitas com carga pois, caso contrário, podem ser normais.

Além de radiografias simples, a ressonância magnética auxilia no diagnóstico do pé plano dando informações como a da condição das cartilagens articulares, do tendão tibial posterior e da presença de navicular acessório ou de barras ósseas.

É importante ter o diagnóstico correto das causas de pé plano em questão pois a depender da etiologia do pé plano muitas vezes são necessários tratamentos mais agressivos e que apresentam um prognóstico não tão favorável.

Qual o tratamento para o Pé Plano?

Tratamento conservador

O tratamento para pé plano só é necessário se o paciente apresenta algum tipo de desconforto. O tratamento consiste em mudanças no padrão de calçados, para o uso de calçados com o solado firme, uso de palmilhas (eventualmente) e um programa de reabilitação fisioterápico. 

Tratamento Cirúrgico

Ocasionalmente, o tratamento cirúrgico é necessário em pacientes com dor persistente e com deformidades maiores e progressivas. O tratamento cirúrgico difere entre as diversas causas de pé chato, passando desde pequenos procedimentos corretivos até cirurgias miores como artrodeses (fusão dos ossos do pé).

FAQ:

Palmilha ortopédica realmente funciona para pé chato?

Sim, em muitos casos. Estudos mostram que o uso de palmilhas reduz a dor em pessoas com pé chato flexível, tanto em repouso quanto ao caminhar, embora o benefício seja menor durante corrida. Além de aliviar a dor, as palmilhas ajudam a redistribuir a pressão na sola do pé e podem melhorar o alinhamento do arco plantar.

Um ponto importante: palmilhas feitas sob medida não mostraram ser claramente superiores às palmilhas prontas, vendidas em farmácias e lojas especializadas. Por isso, para a maioria das pessoas, faz sentido começar pela opção mais simples e barata antes de investir em modelos personalizados. Exercícios de fortalecimento da musculatura do pé também ajudam bastante e, em algumas medidas, mostraram resultados ainda mais consistentes do que as palmilhas isoladamente.

É importante deixar claro que a palmilha não “cura” o pé chato nem muda definitivamente o formato do pé — ela funciona como um suporte para aliviar sintomas enquanto está sendo usada.

Pé plano tem cura?

Depende da causa e da idade. Em crianças pequenas, o chamado pé plano flexível fisiológico costuma fazer parte do desenvolvimento normal e tende a melhorar sozinho com o crescimento, conforme o arco plantar se forma ao longo da infância — nesses casos, não há doença a ser “curada”, apenas uma fase que se resolve com o tempo.

Já em adultos, principalmente quando o pé chato surge por disfunção do tendão tibial posterior, a alteração tende a ser permanente e progressiva se não for tratada. O tratamento conservador (palmilhas, fisioterapia, calçados adequados) controla os sintomas, mas não devolve o formato original do arco. Nesses casos mais avançados, apenas a cirurgia é capaz de corrigir estruturalmente o alinhamento do pé — por isso não se deve falar em “cura” espontânea para o pé plano adquirido do adulto, e sim em controle ou correção cirúrgica quando indicada.

Todo pé plano precisa ser operado?

Não. A grande maioria dos pés chatos é flexível, indolor e não exige nenhum tratamento além de observação. A cirurgia só entra em cena quando existe dor persistente ou limitação funcional que não melhora depois de um período adequado de tratamento conservador — geralmente pelo menos 6 meses de uso de anti-inflamatórios, palmilhas e fisioterapia.

Isso vale tanto para crianças quanto para adultos. Em crianças, a cirurgia é reservada para os casos raros de dor persistente que não responde a modificações no calçado ou às palmilhas. Em adultos, a situação mais associada à necessidade de cirurgia é o chamado “pé plano adquirido do adulto”, ligado à disfunção do tendão que sustenta o arco do pé (tendão tibial posterior). Mesmo nesses casos, a cirurgia costuma ser indicada apenas quando o tratamento não cirúrgico falhou.

Como é a cirurgia de correção de pé plano?

Não existe uma única cirurgia “padrão” — a técnica é escolhida de acordo com o grau da deformidade, a rigidez do pé e a causa do problema. As opções mais usadas incluem:

  • Cortes no osso do calcanhar (osteotomias): o cirurgião corta e reposiciona o osso do calcanhar para restaurar o alinhamento normal do pé, ajudando a recriar o arco plantar.
  • Transferência de tendão: quando o tendão que sustenta o arco está comprometido, um tendão vizinho pode ser transferido para assumir parcialmente essa função.
  • Alongamento do tendão de Aquiles: indicado quando há encurtamento desse tendão, que contribui para o pé chato.
  • Implante no meio do pé (artrorrise): um pequeno implante é colocado numa articulação específica do pé para limitar o movimento excessivo que gera a deformidade, sem fundir a articulação.
  • Fusão de articulações (artrodese): reservada para os casos mais avançados ou rígidos, quando o pé já não responde bem às outras técnicas. Por ser uma cirurgia que elimina o movimento da articulação, é evitada em crianças sempre que possível.

Muitas vezes mais de uma dessas técnicas é combinada na mesma cirurgia, conforme a necessidade de cada pé. Os estudos mostram melhora significativa da dor, da função e da qualidade de vida após a cirurgia na maioria dos pacientes operados, com bons índices de satisfação em relação à aparência e à força do pé.

Caso apresente sinais ou sintomas de pé plano ou tenha alguma dúvida à respeito, procure um Ortopedista Especialista em Pé e Tornozelo para avaliação.

Fonte:

Orthoinfo – AAOS

Dúvidas ou Sugestões