Dr. Alejandro Zoboli

Ortopedia e Traumatologia

Cirurgia do Pé e Tornozelo

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Fasceite Plantar 

 O que é fasceite plantar?

Fasceite plantar (fascite ou esporão do calcâneo) é a causa mais comum de dor no calcanhar. A fascite plantar ocorre quando a fáscia plantar, estrutura que ajuda no suporte do arco medial do pé, se apresenta inflamada.Fasceite Plantar

Quais são as causas da fascite plantar?

A fáscia plantar é projetada para absorver o grande parte do impacto em nossos pés. Mas, muitas vezes, o excesso de pressão nessa estrutura, acaba por danificar esse tecido. A resposta natural do organismo a essa lesão é a inflamação, resultando em dor no calcanhar. 

Quais são os fatores de risco para fascite plantar?

Na maioria dos casos, a fasceíte plantar não apresenta uma única causa identificável. Há, portanto, muitos fatores que podem contribuir com o desenvolvimento da fasceíte plantar, sendo eles:
1. Encurtamento da cadeia posterior.
2. Uso de calçados inadequados.
3. Obesidade
4. Atividade impacto repetitivo (corrida / esportes)
5. Mudanças nas atividades esportivas ou aumento de intensidade dessas atividades
Embora muitas pessoas com fasceíte plantar tenha um esporão ósseo no calcâneo, estes não são a causa da dor. Uma em cada 10 pessoas apresentam esporão de calcâneo, porém, apenas 5% das pessoas com esporão de calcâneo apresentam dor

Quais são os sintomas da fascite plantar? 

Os sintomas mais comuns da fascite plantar são:
– Dor na região plantar do calcâneo.
– Dor ao dar os primeiros passos depois de sair da cama pela manhã ou após um longo período de descanso.
– Aumento da dor após o exercício ou atividade.

Quais exames de imagem são necessários?

Esporão calcaneo tratamentoRadiografias fornecem imagens claras dos ossos, podendo ver a presença do esporão ósseo e sendo úteis para descartar outras causas de dor no calcanhar, como fraturas ou osteoartrose. Outros exames de imagem, como a ressonância magnética (RNM) e ultra-som não são rotineiramente usados para diagnosticar a fasceíte plantar, sendo indicados, principalmente se a dor no calcanhar não é aliviada pelos métodos de tratamento iniciais.  

Como tratar a fascite plantar?

Tratamento Conservador:

Mais de 90% dos pacientes com fascite plantar melhoram com o tratamento conservador (não cirúrgico). São algumas medidas que podem auxiliar no tratamento da fascite plantar:
1. Fisioterapia. Exercícios de alongamento da cadeia posterior e em especial da fáscia plantar são uma parte fundamental do tratamento da fascite plantar. Devem ser realizados diariamente e de preferência sob a supervisão de um fisioterapeuta.
2. Adequação de calçados e uso de calcanheiras de silicone. Sapatos de solado firme e com amortecimento adequado permitem que, durante a marcha, exista uma distensão menor da fáscia plantar e um impacto menor sobre a origem da fáscia plantar, diminuindo assim os sintomas dolorosos.
3. Mudança de atividades. Reduzir ou mesmo suspender completamente as atividades que pioram a dor no calcanhar. Pode ser necessário suspender atividades esportivas de impacto ou realizadas em superfícies duras (como corrida ou aeróbica).
4. Crioterapia e medicamentos. O uso de compressas ou bolsas de gelo 3 a 4 vezes ao dia por 15 minutos no local de dor pode ajudar com a melhora dos sintomas.
O uso de antiinflamatórios não hormonais podem ajudar no controle da dor.
5.Talas ou órteses noturnas. O uso de talas ou órteses noturnas permite com que a fáscia plantar se mantenha alongada durante a noite, de modo que ao pisar pela manhã o paciente não sinta dor pois não haverá um alongamento abrupto dessa estrutura. Otra abordagem possível é o uso da Terapia po Ondas de Choque.                                                           

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico para a fasceíte plantar só é considerado após  12 meses de tratamento não cirúrgico (conservador) agressivo e raramente é indicado,sendo o principal procedimento a liberação da fáscia plantar. A liberação da fáscia plantar, seja ela realizada de forma aberta ou endoscópica, consiste na “soltura” da fáscia plantar em sua inserção na região plantar do calcâneo. Desse modo a fáscia plantar tende “alongar-se” e a cicatrizar nessa nova posição de alongamento.

FAQ:

Quais os melhores calçados para fasceíte plantar?

Calçados com bom suporte de arco e amortecimento ajudam a reduzir a dor. Evitar sapatos totalmente planos, sem estrutura, ou saltos muito altos é recomendado.

Palmilhas (órteses) também ajudam bastante. Estudos mostram que palmilhas prontas (de silicone, borracha ou feltro), usadas junto com alongamento diário, funcionam tão bem ou até melhor do que palmilhas feitas sob medida, que costumam ser bem mais caras. Alongar a fáscia plantar e a panturrilha todos os dias, junto com o uso de calçados adequados e palmilhas, é a base do tratamento inicial.

Fasceíte plantar é o mesmo que esporão de calcâneo?

Não são a mesma coisa, mas estão relacionados. O esporão de calcâneo é um pequeno crescimento ósseo que pode se formar no osso do calcanhar, visível em radiografias. Já a fasceíte plantar é o problema no próprio tecido da fáscia.

Muitas pessoas com esporão de calcâneo não sentem dor nenhuma, e muitas pessoas com fasceíte plantar dolorosa não têm esporão. Ou seja, ter um esporão no raio-X não significa necessariamente que ele seja a causa da dor. Por isso, o diagnóstico e o tratamento costumam focar na fasceíte plantar em si, e não apenas no esporão visto na imagem.

Quando operar o esporão de calcâneo ou a fascite plantar?

A cirurgia é reservada para uma pequena parcela de pacientes com dor persistente e intensa que não melhorou depois de um tratamento conservador bem feito por pelo menos 6 a 12 meses. Esse tratamento conservador inclui alongamentos, calçados e palmilhas adequados, fisioterapia, uso de talas noturnas e, se necessário, infiltrações.

A grande maioria das pessoas melhora sem cirurgia, então a decisão de operar costuma ser tomada apenas depois de esgotadas essas opções e após discussão cuidadosa com um ortopedista especializado em pé e tornozelo.

A cirurgia para fascite plantar funciona?

Sim, de forma geral funciona, trazendo alívio da dor a curto e médio prazo na maioria dos pacientes operados. Relatos de casos mostram bons resultados em mais de três quartos das pessoas operadas, embora a recuperação possa levar meses e uma parte dos pacientes ainda sinta alguma dor residual anos depois. Existem diferentes técnicas cirúrgicas (aberta, endoscópica, liberação parcial da fáscia, entre outras), e todas parecem trazer melhora em relação à situação antes da cirurgia. As complicações são raras, mas podem incluir inchaço prolongado do calcanhar, lesão de nervos próximos ou enfraquecimento do arco do pé. Como em qualquer cirurgia, os riscos e benefícios devem ser conversados individualmente com o cirurgião responsável. 

Fonte:

Orthoinfo – AAOS

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