A artroplastia total do tornozelo (ATT) tem ganhado cada vez mais espaço como alternativa cirúrgica para o tratamento da artrose avançada do tornozelo. Apesar dos avanços tecnológicos e dos resultados promissores, ainda existem muitas dúvidas e conceitos equivocados sobre o procedimento. Este artigo esclarece os principais mitos e verdades sobre a artroplastia do tornozelo.

10 Mitos sobre a Artroplastia do Tornozelo
Mito 1: A artrodese (fusão) sempre apresenta melhores resultados que a artroplastia
A literatura atual demonstra que tanto a artroplastia do tornozelo quanto a artrodese apresentam resultados clínicos comparáveis em termos de alívio da dor e melhora funcional. Estudos mostram que ambos os procedimentos são eficazes e seguros para o tratamento da artrose avançada do tornozelo.
Mito 2: A artroplastia do tornozelo tem taxa de revisão muito alta
As próteses de tornozelo de última geração apresentam sobrevida de 94,6% em seguimento médio de 5,5 anos, com taxa de falha de apenas 5,4% e taxa de reoperação de 12,0%. Esses números são comparáveis aos de outras artroplastias articulares.
Mito 3: Pacientes com artroplastia não conseguem caminhar normalmente
Estudos de análise de marcha demonstram que não há diferença significativa nos parâmetros espaço-temporais da marcha (velocidade, cadência, comprimento do passo) entre pacientes submetidos à artroplastia e à artrodese. Ambos os grupos apresentam padrões de marcha funcionais.
Mito 4: A artroplastia é contraindicada em pacientes mais velhos
A idade avançada não é contraindicação para a artroplastia do tornozelo. Estudos mostram que a idade média dos pacientes submetidos ao procedimento é de aproximadamente 63-65 anos, com casos realizados em pacientes de até 94 anos com resultados satisfatórios.
Mito 5: A artroplastia sempre leva à artrose das articulações adjacentes
Na verdade, a artroplastia preserva o movimento do tornozelo e reduz o estresse nas articulações adjacentes. Estudos comparativos mostram que a taxa de fusão de articulações adjacentes é significativamente menor após artroplastia (5,1%) do que após artrodese (13,4%).
Mito 6: Todos os pacientes com artrose do tornozelo são candidatos à artroplastia
A seleção adequada do paciente é fundamental. Fatores como idade, peso, deformidade coronal tibiotalar, altura da linha articular e presença de artrose em articulações adjacentes devem ser considerados para maximizar os resultados clínicos.
Mito 7: A artroplastia não melhora a qualidade de vida
Estudos demonstram melhorias estatisticamente significativas em escalas de qualidade de vida, com aumento médio de 10,1 pontos no componente físico do Veterans RAND 12-Item Health Survey, redução de 29,2 pontos na escala de dor AOS e redução de 36,8 pontos na escala visual analógica de dor.
Mito 8: Não há diferença entre próteses de rolamento móvel e fixo
Tanto as próteses de rolamento móvel quanto as de rolamento fixo demonstram resultados clínicos favoráveis e boa sobrevida. Análises post-hoc sugerem que próteses de rolamento fixo podem apresentar melhores resultados funcionais em comparação com a artrodese.
Mito 9: A artroplastia tem mais complicações que a artrodese
Revisões sistemáticas recentes mostram que a artroplastia apresenta taxa significativamente menor de complicações totais (13,1% vs 31,4%), remoção de implante (8,5% vs 20%) e necessidade de fusão de articulações adjacentes (5,1% vs 13,4%) em comparação com a artrodese.
Mito 10: Após a artroplastia, o tornozelo não terá movimento real
A artroplastia preserva o movimento anatômico do tornozelo. Estudos radiográficos mostram que pacientes com artroplastia apresentam arco de movimento total médio de 34,2° no plano sagital, significativamente maior que os 24,3° observados em pacientes com artrodese.
10 Verdades sobre a Artroplastia Total do Tornozelo
Verdade 1: A artroplastia do tornozelo preserva o movimento do tornozelo
A artroplastia total do tornozelo é um procedimento que preserva o movimento articular, conferindo melhor função cinemática e diminuindo o estresse nas articulações adjacentes em comparação com a artrodese.
Verdade 2: Ambos os procedimentos (artroplastia do tornozelo e artrodese) aliviam a dor
Tanto a artroplastia quanto a artrodese oferecem alívio equivalente da dor em pacientes com artrose avançada do tornozelo. Estudos prospectivos confirmam melhora significativa nos escores de dor em ambos os grupos.
Verdade 3: A taxa de reoperação é maior na artroplastia total do tornozelo
Embora as taxas de revisão sejam semelhantes entre artroplastia e artrodese, pacientes submetidos à artroplastia apresentam maior número de procedimentos adicionais. Isso deve ser discutido durante o aconselhamento pré-operatório.
Verdade 4: A seleção adequada do paciente é crucial
Para maximizar os resultados clínicos, é importante considerar idade, peso, deformidade coronal tibiotalar, altura da linha articular e presença de artrose em articulações adjacentes ao selecionar candidatos para artroplastia.
Verdade 5: As próteses modernas apresentam melhores resultados
As próteses de última geração foram desenvolvidas para melhorar a cinemática articular, minimizar a ressecção óssea e reduzir complicações observadas em gerações anteriores de implantes, resultando em melhores desfechos clínicos.
Verdade 6: A artroplastia do tornozelo melhora significativamente os resultados funcionais
Estudos prospectivos demonstram melhorias estatisticamente significativas em escalas funcionais, com redução média de 32,8 pontos na escala de incapacidade AOS e melhora nos escores de atividades da vida diária.
Verdade 7: A sobrevida do implante diminui com o seguimento a longo prazo
Embora as próteses modernas apresentem boa sobrevida em médio prazo, a sobrevida do implante diminui com o seguimento a longo prazo, necessitando constante aprimoramento das opções de artroplastia primária e de revisão.
Verdade 8: Complicações podem ocorrer e devem ser monitoradas
As complicações mais comuns incluem problemas de cicatrização de feridas (13,4%), lesões nervosas (4,2%) e eventos tromboembólicos (2,9%). As principais causas de falha são soltura asséptica e infecção profunda.Verdade 9: A artroplastia pode ser custo-efetiva.
Análises econômicas sugerem que a artroplastia total do tornozelo tem 69% de probabilidade de ser custo-efetiva em comparação com a artrodese, considerando o limiar de £20.000 por ano de vida ajustado pela qualidade ao longo da vida do paciente.
Verdade 10: A articulação talonavicular compensa diferentemente após cada procedimento
Após a artrodese, a articulação talonavicular contribui significativamente mais para o movimento no plano sagital (22,8°) em comparação com a artroplastia (10,5°), o que pode predispor a alterações degenerativas ao longo do tempo.
Conclusão
A artroplastia total do tornozelo é uma opção cirúrgica eficaz e segura para o tratamento da artrose avançada do tornozelo em pacientes adequadamente selecionados. Tanto a artroplastia quanto a artrodese apresentam resultados clínicos comparáveis, com vantagens específicas para cada procedimento. A decisão entre as duas técnicas deve ser individualizada, considerando as características do paciente, expectativas funcionais e discussão detalhada sobre riscos e benefícios de cada abordagem.
Referências
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